{"id":5560,"date":"2023-11-01T15:32:19","date_gmt":"2023-11-01T18:32:19","guid":{"rendered":"https:\/\/acontecenoreconcavo.com.br\/?p=5560"},"modified":"2023-11-01T15:32:21","modified_gmt":"2023-11-01T18:32:21","slug":"ipac-diz-que-acaraje-e-patrimonio-do-estado-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acontecenoreconcavo.com.br\/index.php\/2023\/11\/01\/ipac-diz-que-acaraje-e-patrimonio-do-estado-da-bahia\/","title":{"rendered":"IPAC diz que acaraj\u00e9 \u00e9 patrim\u00f4nio do estado da Bahia"},"content":{"rendered":"\n<p>A patrimonializa\u00e7\u00e3o do acaraj\u00e9 no Rio de Janeiro ap\u00f3s projeto de lei da deputada fluminense Renata Souza (PSOL) causou enorme pol\u00eamica e burburinho na sociedade e nas redes sociais. Informa\u00e7\u00f5es inver\u00eddicas come\u00e7aram a circular afirmando que o alimento sagrado do candombl\u00e9, e oriundo de \u00c1frica, ainda n\u00e3o havia se tornado patrim\u00f4nio na Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como dito por esta&nbsp;<strong>Tribuna<\/strong>, na Bahia o of\u00edcio das baianas de acaraj\u00e9 se tornou um patrim\u00f4nio cultural imaterial&nbsp;&nbsp;desde 2012 pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Cultural da Bahia (IPAC).Ou seja, isso significa que&nbsp;&nbsp;o acaraj\u00e9 n\u00e3o ficou de fora desse tombamento, conforme explicou o IPAC em nota enviada \u00e0 imprensa para corrigir o equ\u00edvoco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se aliena o acaraj\u00e9 da baiana de acaraj\u00e9.&nbsp;&nbsp;N\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica legal da pol\u00edtica patrimonial alienar o objeto protegido de quem o faz, de quem o inventa e o exerce. N\u00e3o existe outra forma de salvaguardar o akar\u00e1 que n\u00e3o seja com a baiana de acaraj\u00e9\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para historiadores e soci\u00f3logos o que deve ser colocado em pauta \u00e9 a urg\u00eancia em se ter mais rigor para manter o patrim\u00f4nio preservado na Bahia, ao inv\u00e9s&nbsp;&nbsp;de fomentar ataques ao Rio de Janeiro e \u00e0 deputada estadual fluminense.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Eles refor\u00e7am, ainda, que tornar algo patrim\u00f4nio n\u00e3o significa patentear ou definir o lugar de origem do objeto tombado: al\u00e9m do Rio ter legitimidade, a medida visa preserva\u00e7\u00e3o e o combate ao racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNingu\u00e9m est\u00e1 roubando o acaraj\u00e9 de ningu\u00e9m. Precisamos combater essa tentativa de tirar sua ess\u00eancia, pois na Bahia&nbsp;o acaraj\u00e9 tem virado bolinho de Jesus, bolinho cor de rosa, com doce de leite, e diversas aberra\u00e7\u00f5es que desconfiguraram o que de fato \u00e9 o acaraj\u00e9 e isso afeta tamb\u00e9m nossa cultura\u201d, afirma a presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Baianas e Vendedoras de Mingau (ABAM), Rita Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo estado mais negro depois da Bahia,&nbsp;&nbsp;o Rio de Janeiro \u00e9 considerado terra irm\u00e3&nbsp;&nbsp;do estado baiano&nbsp;&nbsp;justamente pela&nbsp;&nbsp;similaridade de ambos na&nbsp;&nbsp;forma\u00e7\u00e3o e no contexto hist\u00f3rico, social e cultural.&nbsp;&nbsp;Em mat\u00e9ria&nbsp;&nbsp;do G1 Bahia, o antrop\u00f3logo e historiador da UFBA, Vilson Caetano foi enf\u00e1tico: \u201cO acaraj\u00e9 n\u00e3o \u00e9 da Bahia, nem do Rio de Janeiro. \u00c9 africano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da ABAM conta que no Rio de Janeiro j\u00e1 se chegou a vender mais acaraj\u00e9 que na Bahia. A&nbsp;&nbsp;atividade comercial surgiu no per\u00edodo da escravid\u00e3o por mulheres alforriadas e ganhou for\u00e7a ao mesmo tempo nas cidades de Recife e no Rio de Janeiro.&nbsp;&nbsp;\u201cNa Quinta da Boa Vista, por exemplo, j\u00e1 teve mais baiana do que em Salvador\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A historiadora, escritora, fil\u00f3sofa, professora da UFBA e influenciadora digital, B\u00e1rbara Carine diz que n\u00e3o tem porqu\u00ea ser contra o acaraj\u00e9 ter se tornado patrim\u00f4nio no Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe tornar patrim\u00f4nio cultural n\u00e3o significa que nasceu nesse territ\u00f3rio, mas que esse territ\u00f3rio reconhece o acaraj\u00e9 como patrim\u00f4nio ancestral da comunidade africana na di\u00e1spora e que sim, tem sua origem na Bahia e que valoriza esse tra\u00e7o\u201d, diz em um v\u00eddeo em seu perfil com mais de 370 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, as mulheres alforriadas, algumas ainda escravizadas, que vendiam acaraj\u00e9s eram chamadas de &#8220;escravas de tabuleiro&#8221;.&nbsp;&nbsp;Com a venda da iguaria, elas garantiram n\u00e3o s\u00f3 o sustento de suas fam\u00edlias, como tamb\u00e9m a liberdade de alguns membros com as vendas do acaraj\u00e9 e de outros quitutes como o mingau.&nbsp; \u201cNa \u00e9poca a &nbsp;gente chamava de quituteira, depois que passamos a chamar de baiana\u201d, lembra Rita Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Salvador, existe a lei 6138\/2002 que institui o acaraj\u00e9 como Patrim\u00f4nio Cultural de Salvador. No entanto, a advogada Fernanda Andrade explica que a partir de 2015 em Salvador, o procedimento previsto para o tombamento municipal \u00e9 feito administrativamente e n\u00e3o por lei de iniciativa do Poder Legislativo. Esse procedimento administrativo tramita junto a um Conselho Consultivo. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria a abertura de um procedimento administrativo, com todo um percurso a ser feito, de instru\u00e7\u00e3o desse pedido, at\u00e9 o efetivo registro no livro de patrim\u00f4nio\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o IPAC, a composi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural \u00e9 um conjunto de bens culturais que n\u00e3o podem ser desvirtuados, trocados e nem distanciados pela baiana de acaraj\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o existe a carioca de acaraj\u00e9, a paulista de acaraj\u00e9, a monja ou freira de acaraj\u00e9. A tradi\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria comprovam: o bem cultural \u00e9 baiana de acaraj\u00e9 e todas as suas caracter\u00edsticas e contextos tradicionais. A patrimonializa\u00e7\u00e3o que obedece \u00e0s Legisla\u00e7\u00f5es estaduais, federais e internacionais \u00e9 feita dessa forma para salvaguardar a tradi\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica e hist\u00f3rica acaraj\u00e9\u201d, acrescenta o texto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PAZ<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00eamica que surgiu nas redes sociais causou inclusive discuss\u00f5es agressivas, com muitos cariocas atacando baianos.\u00a0\u00a0Professor no Rio de Janeiro, o doutor em Letras e especialista em ancestralidade africana,\u00a0\u00a0\u00a0Osmar Soares da Silva Filho, afirma que se entristeceu em ler \u201ccoment\u00e1rios bairristas horr\u00edveis\u201d. \u201cVi gente dizendo que no Rio s\u00f3 tem bandido, entre outras coisas. O povo n\u00e3o sabe o que \u00e9 di\u00e1spora africana. Cheguei a ler que negritude \u00e9 s\u00f3 na Bahia\u201d, lamentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: TRBN <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A patrimonializa\u00e7\u00e3o do acaraj\u00e9 no Rio de Janeiro ap\u00f3s projeto de lei da deputada fluminense Renata Souza (PSOL) causou enorme pol\u00eamica e burburinho na sociedade e nas redes sociais. Informa\u00e7\u00f5es inver\u00eddicas come\u00e7aram a circular afirmando que o alimento sagrado do candombl\u00e9, e oriundo de \u00c1frica, ainda n\u00e3o havia se tornado patrim\u00f4nio na Bahia. 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