{"id":2652,"date":"2023-08-07T10:55:41","date_gmt":"2023-08-07T13:55:41","guid":{"rendered":"https:\/\/acontecenoreconcavo.com.br\/?p=2652"},"modified":"2023-08-07T10:55:44","modified_gmt":"2023-08-07T13:55:44","slug":"pesquisadores-da-fiocruz-criam-metodo-para-detectar-hepatite-d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acontecenoreconcavo.com.br\/index.php\/2023\/08\/07\/pesquisadores-da-fiocruz-criam-metodo-para-detectar-hepatite-d\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Fiocruz criam m\u00e9todo para detectar hepatite D"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) que atuam na unidade sediada em Rond\u00f4nia desenvolveram uma nova forma de detectar a hepatite D, tamb\u00e9m conhecida como hepatite Delta. Trata-se de um m\u00e9todo molecular que permite inclusive quantificar a carga viral presente no organismo do paciente. Embora tenha sido desenvolvido inicialmente para fins de pesquisa, a expectativa \u00e9 que ele possa futuramente ser incorporado ao conjunto de exames oferecidos no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo que levou ao desenvolvimento do m\u00e9todo molecular foi conduzido em parceria com tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es acrianas: a Funda\u00e7\u00e3o Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), o Centro de Infectologia Charles M\u00e9rieux e a Universidade Federal do Acre (UFAC). Ao todo, estiveram envolvidos 16 pesquisadores. Os resultados constam em um artigo cient\u00edfico publicado na semana passada na revista Scientific Reports da Nature, publica\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia internacional nas \u00e1reas das ci\u00eancias naturais, psicologia, medicina e engenharia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora da Fiocruz Rond\u00f4nia e coordenadora do estudo, Deusilene Dallacqua, atualmente o diagn\u00f3stico da hepatite D no SUS \u00e9 realizado por meio de exame de sangue que permite apenas a detec\u00e7\u00e3o de anticorpos contra o v\u00edrus. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel confirmar que a pessoa j\u00e1 foi contaminada. O m\u00e9todo molecular desenvolvido, no entanto, poder\u00e1 oferecer informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas. Por meio da amostra de sangue, ele possibilita a detec\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio v\u00edrus confirmando que a pessoa est\u00e1 infectada naquele momento exato. Tamb\u00e9m permite quantificar a carga viral, oferecendo \u00e0 equipe m\u00e9dica informa\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico. Os resultados podem ser obtidos em 24 ou 48 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Deusilene Dallacqua observa que a aus\u00eancia de um exame similar nos laborat\u00f3rios de refer\u00eancia do pa\u00eds dificulta o conhecimento da real preval\u00eancia, a melhor compreens\u00e3o do comportamento do v\u00edrus e o direcionamento m\u00e9dico mais adequado. &#8220;A partir do resultado, voc\u00ea consegue auxiliar na conduta cl\u00ednica desse paciente. Avaliar se vai ser necess\u00e1rio um tratamento ou se vai ser necess\u00e1rio um monitoramento. Pode ser marcada uma consulta em seis meses para ver como est\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como as demais hepatites virais, a hepatite D \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o que afeta o f\u00edgado. A transmiss\u00e3o se d\u00e1 pelo contato com sangue e outros fluidos corporais de um paciente contaminado. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio do uso dos mesmos materiais de higiene pessoal, da transfus\u00e3o de sangue, de compartilhamento de seringas e de rela\u00e7\u00f5es sexuais sem preservativo. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a doen\u00e7a se desenvolve quando o organismo da pessoa infectada carrega tamb\u00e9m o v\u00edrus da hepatite B. Isso porque v\u00edrus da hepatite D necessita de um ant\u00edgeno existente no v\u00edrus da hepatite B para se replicar.<\/p>\n\n\n\n<p>A doen\u00e7a \u00e9 end\u00eamica na Amaz\u00f4nia e pode gerar uma infec\u00e7\u00e3o no f\u00edgado mais grave. De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foram diagnosticados 4.259 casos de hepatite D no Brasil entre 2000 e 2021, dos quais 73,7% foram na Regi\u00e3o Norte. Mais da metade dos indiv\u00edduos infectados no pa\u00eds possu\u00eda idade entre 20 a 39 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Deusilene Dallacqua, no entanto, afirma que existe uma alta subnotifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Ela lembra que mesmo o exame voltado para a detec\u00e7\u00e3o de anticorpos s\u00f3 est\u00e1 dispon\u00edvel em estados end\u00eamicos e, inclusive nesses locais, a popula\u00e7\u00e3o diagnosticada representa somente parcela dos casos. Ela estima que apenas no Acre e em Rond\u00f4nia h\u00e1 aproximadamente 2 mil pessoas com hepatite D em sua forma cr\u00f4nica, quando a infec\u00e7\u00e3o dura mais de seis meses. &#8220;O portador cr\u00f4nico pode ser um portador para o resto da vida. Mas tamb\u00e9m podem ter evolu\u00e7\u00f5es. Pode evoluir para uma fibrose ou uma cirrose. E uma pequena parcela pode evoluir para um hepatocarcinoma celular, um c\u00e2ncer hep\u00e1tico&#8221;, explica Deusilene.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora, a doen\u00e7a em sua forma cr\u00f4nica costuma ser silenciosa. A infec\u00e7\u00e3o pode se manifestar tamb\u00e9m em sua forma aguda. Nesse caso, s\u00e3o comuns sintomas variados como pele amarelada, v\u00f4mito, enjoo e mal-estar. Em alguns desses casos, pode ocorrer a evolu\u00e7\u00e3o para a chamada hepatite fulminante. N\u00e3o existem vacinas espec\u00edficas para o v\u00edrus da hepatite D, mas a imuniza\u00e7\u00e3o contra a hepatite B atua na preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A parceria da Fiocruz Rond\u00f4nia com a Fundhacre, o Centro de Infectologia Charles M\u00e9rieux e a UFAC que resultou no desenvolvimento desse m\u00e9todo molecular teve in\u00edcio no ano passado e dever\u00e1 avan\u00e7ar para um acordo de coopera\u00e7\u00e3o. As institui\u00e7\u00f5es planejam expandir seus estudos para incluir a\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o de outras enfermidades de import\u00e2ncia m\u00e9dica na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) que atuam na unidade sediada em Rond\u00f4nia desenvolveram uma nova forma de detectar a hepatite D, tamb\u00e9m conhecida como hepatite Delta. Trata-se de um m\u00e9todo molecular que permite inclusive quantificar a carga viral presente no organismo do paciente. 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