{"id":13380,"date":"2026-01-19T09:22:53","date_gmt":"2026-01-19T12:22:53","guid":{"rendered":"https:\/\/acontecenoreconcavo.com.br\/?p=13380"},"modified":"2026-01-19T09:22:54","modified_gmt":"2026-01-19T12:22:54","slug":"verao-festas-e-agua-cuidado-redobrado-com-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acontecenoreconcavo.com.br\/index.php\/2026\/01\/19\/verao-festas-e-agua-cuidado-redobrado-com-as-criancas\/","title":{"rendered":"Ver\u00e3o, festas e \u00e1gua: cuidado redobrado com as crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Janeiro chegou trazendo calor intenso, clima de f\u00e9rias e a contagem regressiva para o Carnaval. Em Salvador, as casas ganham cheiro de churrasco aos fins de semana, as varandas viram ponto de encontro e a \u00e1gua passa a ocupar papel central na rotina: seja na piscina do condom\u00ednio, na \u201cpiscininha\u201d improvisada no quintal ou no mergulho no mar azul da capital baiana. Mas, em meio a esse ambiente de descontra\u00e7\u00e3o, especialistas refor\u00e7am um alerta que nunca sai de moda: quando h\u00e1 \u00e1gua por perto, todo cuidado \u00e9 pouco, especialmente com as crian\u00e7as em piscinas, na beira da praia ou no rasinho inocente.<\/p>\n<p>Na orla da Barra, uma das praias mais movimentadas neste in\u00edcio de ano, o engenheiro Carlos Menezes, de 41 anos, acompanha de perto cada passo da filha de 5 anos na beira do mar. Ele n\u00e3o desgruda os olhos nem por alguns segundos. \u201cA gente vem para relaxar, mas n\u00e3o d\u00e1 para baixar a guarda. Salvador est\u00e1 cheia, o mar engana, parece tranquilo e, quando voc\u00ea v\u00ea, a crian\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 mais longe. Prefiro ficar cansado de vigiar do que me arrepender depois\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Travessas por natureza, curiosas e ainda sem no\u00e7\u00e3o real de perigo, as crian\u00e7as s\u00e3o justamente o grupo mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Segundo a coordena\u00e7\u00e3o da Salvamar, a maior parte das ocorr\u00eancias acontece justamente em dias de sol forte, seja nas praias ou nas piscinas, geralmente quando o mar est\u00e1 aparentemente calmo e grande concentra\u00e7\u00e3o de banhistas e nas festas perto da piscina com muita gente, onde a aten\u00e7\u00e3o fica dividida, entre a bebida, a comida e a m\u00fasica. O ideal nesses casos \u00e9 deixar as crian\u00e7as sempre com b\u00f3ias presas ao corpo.<\/p>\n<p>Embora os registros de ocorr\u00eancias nas praias envolvam banhistas de todas as idades, o aumento da movimenta\u00e7\u00e3o no ver\u00e3o impacta diretamente o trabalho das equipes de salvamento. Apenas nos primeiros dias de 2026, Salvador registrou quase 80 atendimentos de resgate por afogamento na orla, segundo dados da Coordenadoria de Salvamento Mar\u00edtimo (Salvamar), da Prefeitura. O n\u00famero reflete o crescimento do fluxo de pessoas nas praias durante o per\u00edodo de f\u00e9rias escolares e altas temperaturas.<\/p>\n<p>Quando o olhar se volta especificamente para o p\u00fablico infantil, o alerta ganha ainda mais peso. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontam que o afogamento segue entre as principais causas de morte acidental de crian\u00e7as de 1 a 4 anos no Brasil. A Sociedade Brasileira de Pediatria refor\u00e7a que, em m\u00e9dia, tr\u00eas crian\u00e7as e adolescentes morrem por afogamento todos os dias no pa\u00eds, muitos desses casos acontecendo longe das grandes ondas do mar, dentro de casa, em piscinas residenciais, caixas d\u2019\u00e1gua destampadas, baldes e banheiras.<\/p>\n<p>Na Pituba, a comerciante J\u00e9ssica Andrade, m\u00e3e de dois meninos, conta que passou a adotar estrat\u00e9gias simples para evitar sustos nas piscinas do pr\u00e9dio e do clube onde frequenta \u201cEu coloco pulseira de identifica\u00e7\u00e3o, combino um ponto fixo com eles e sempre fico perto A divers\u00e3o \u00e9 maravilhosa, a gente tem a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, maravilhosa, mas \u00e9 preciso ter organiza\u00e7\u00e3o, porque crian\u00e7a se distrai muito r\u00e1pido\u201d, relata.<\/p>\n<p>ASalvamar refor\u00e7a que muitos resgates poderiam ser evitados com atitudes simples, como respeitar a sinaliza\u00e7\u00e3o por bandeiras, salva-vidas em clubes, nas praias permanecer pr\u00f3ximo aos postos de guarda-vidas, evitar \u00e1reas de correnteza e manter aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0s crian\u00e7as, mesmo quando elas est\u00e3o brincando na parte rasa ou parecem ter intimidade com a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Esse perigo mora justamente onde muitos pais acreditam estar seguros. Na praia de Itapu\u00e3, a professora aposentada L\u00facia Ferreira, que cuida dos dois netos durante as f\u00e9rias escolares, diz que mudou h\u00e1bitos antigos. \u201cAntes eu sentava na cadeira e ficava olhando de longe. Hoje n\u00e3o. Eu entro junto na \u00e1gua, fico perto, sem celular. Aprendi que afogamento n\u00e3o faz barulho\u201d, conta.<\/p>\n<p>Afogamento de crian\u00e7a pode ser silencioso, por isso aten\u00e7\u00e3o redobrada<\/p>\n<p>&#8211; Especialistas explicam que o afogamento infantil costuma ser silencioso. N\u00e3o h\u00e1 gritos, nem pedidos de ajuda. Em poucos segundos, a crian\u00e7a pode submergir sem chamar aten\u00e7\u00e3o, especialmente em ambientes familiares, onde a vigil\u00e2ncia tende a relaxar durante reuni\u00f5es, festas e almo\u00e7os de domingo.<\/p>\n<p>Por isso, as orienta\u00e7\u00f5es das entidades de sa\u00fade e salvamento s\u00e3o claras: a supervis\u00e3o precisa ser constante e ativa. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, estar no mesmo ambiente n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio manter os olhos atentos, sem distra\u00e7\u00f5es com celular, televis\u00e3o ou conversas prolongadas. Em resid\u00eancias com piscina, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 instalar cercas de prote\u00e7\u00e3o com port\u00f5es de fechamento autom\u00e1tico, criando uma barreira f\u00edsica entre a crian\u00e7a e a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso de boias infl\u00e1veis, muito comuns no ver\u00e3o. A Sociedade Brasileira de Salvamento Aqu\u00e1tico alerta que esses itens n\u00e3o substituem a vigil\u00e2ncia de um adulto e podem transmitir uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. J\u00e1 nas piscinas de pl\u00e1stico, t\u00e3o presentes nos quintais soteropolitanos nesta \u00e9poca do ano, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 simples e direta: terminou o banho, a \u00e1gua deve ser descartada imediatamente. Mesmo poucos cent\u00edmetros s\u00e3o suficientes para provocar um afogamento em beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n<p>Regras b\u00e1sicas &#8211; M\u00e9dicos pediatras destacam ainda a import\u00e2ncia de ensinar, desde cedo, regras b\u00e1sicas de conviv\u00eancia com a \u00e1gua, incentivar o aprendizado da nata\u00e7\u00e3o de forma segura e orientar as crian\u00e7as sobre limites, mesmo em ambientes aparentemente tranquilos.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou o Samu pelo 192. Profissionais alertam que tentar \u201cretirar a \u00e1gua\u201d do corpo da v\u00edtima sacudindo-a \u00e9 um erro comum e perigoso. O correto \u00e9 buscar ajuda especializada o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Janeiro chegou trazendo calor intenso, clima de f\u00e9rias e a contagem regressiva para o Carnaval. 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