Há 18 anos, a Veracel Celulose monitora o período de desova das tartarugas marinhas em mais de 35 quilômetros de praias em sua região de atuação. Na última temporada reprodutiva das espécies existentes localmente, que ocorreu entre os meses de setembro de 2022 e abril de 2023, a equipe de monitoramento registrou 18.656 ovos e o nascimento de cerca de 11 mil filhotes.
O levantamento feito pelo Programa de Monitoramento de Quelônios da Veracel levantou 222 ocorrências reprodutivas durante a temporada. A maioria delas, 183 casos, foi de tartarugas que prepararam o ninho e realizaram a postura de ovos. O restante das ocorrências foi de animais que foram até a praia, mas não chegaram a preparar os ninhos, com 39 casos.
Após a confirmação da postura dos ovos, o monitoramento efetuado pelo programa da Veracel Celulose sinaliza os locais de desova e realiza a avaliação da permanência do ninho no local originalmente escolhido pela fêmea. Caso esses ninhos estejam em áreas de risco, que podem comprometer os filhotes, eles são transferidos pela equipe especializada para um local seguro na mesma praia.
Nessa última temporada reprodutiva, foi necessário transferir apenas 25 ninhos para locais mais seguros, e a grande maioria pôde seguir o seu ciclo natural no local onde os ovos foram depositados pelas fêmeas. O programa, executado em alinhamento com as diretrizes do Centro TAMAR/ICMBio, prevê a menor quantidade de intervenção possível ao curso natural do processo reprodutivo.
Nas últimas seis temporadas de desova acompanhadas pela Veracel, foram registrados mais de 100.000 nascimentos de tartarugas na região do monitoramento da empresa.
Dentre as ocorrências com desova, um total de 164 ninhos foi acompanhado com sucesso. Os demais foram predados por animais, tiveram perdas ocasionadas pela maré ou enfrentaram outras dificuldades naturais. Foram contabilizados 18.656 ovos, com média de 113 ovos por ninho. Desse total, a estimativa é de que nasceram 11.704 filhotes de tartarugas, tendo em vista que 6.952 ovos se mantiveram íntegros nos ninhos, sem sinais de eclosão.
A estimativa de filhotes nascidos nesta temporada está menor do que na temporada de 2021/2022, que teve uma estimativa de 14 mil nascimentos. A variação, no entanto, está dentro das expectativas para o período reprodutivo, tendo em vista que, segundo especialistas da consultoria especializada responsável pelo monitoramento, a variação no quantitativo de nascimentos é natural e está associada ao comportamento reprodutivo de cada indivíduo e espécie.
Existem cinco espécies de tartarugas marinhas no Brasil. Todas já tiveram registro de desova na região do monitoramento. Nesta temporada, os ninhos da espécie tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) foram os mais predominantes. Em seguida, vieram os ninhos de tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e de tartaruga-verde (Chelonia mydas). A tartaruga-oliva e a tartaruga-cabeçuda constam na Lista Nacional das Espécies Ameaçadas de extinção, respectivamente nas categorias Vulnerável e Em Perigo (Portaria MMA Nº 148, de 7 de junho de 2022). Na temporada deste ano, também houve ninhos de espécies que não puderam ser determinadas.
Fonte: TRBN






